Movimento Jovens do Futuro se faz presente no 2º Congresso Regional de Psicologia: “ocupar espaços”
Presença provoca a reflexão de mais presença de movimentos sociais em congressos de classe
Integrantes acreanos unidos no 2º Corepsi. Foto: Cedida
Levando a discussão da causa ambiental atrelada à saúde mental, integrantes do Movimento Jovens do Futuro, a mobilização de juventude do Comitê Chico Mendes, marcaram presença no Conselho Regional de Psicologia da 24ª Região RO/AC (CRP-24 RO/AC), o Corepsi, entre os dias 21 e 23 de março. Disputar narrativas, levar nossas pautas para dentro de ambientes onde, muitas vezes, elas não são priorizadas ou sequer lembradas como importantes, foram estes objetivos dos participantes acreanos no encontro.
“Sendo um movimento político e social, é fundamental que participemos de eventos da mesma natureza, como o Congresso Regional de Psicologia. Existem diversos congressos de classe realizados no Brasil, e é essencial que estejamos inseridos nesses espaços”, afirma Rodrigo Paiva, integrante do MFJ e delegado eleito para representar o CRP/24 (Rondônia e Acre) no 12º Congresso Nacional de Psicologia (2025).
Com esse objetivo, foi proposta ao Sistema Conselhos de Psicologia a criação de um diálogo mais próximo com movimentos sociais que defendem os direitos humanos e da natureza, por meio de alianças, ações conjuntas e fortalecimento mútuo.
Reinvidicações foram feitas no congresso. Foto: Cedida
“Um papel fundamental da psicologia é democratizar o acesso à saúde mental, e o conselho pode atuar nesse sentido ao se aproximar dos movimentos sociais. Isso inclui, por exemplo, o Movimento Jovens do Futuro, promovendo a disseminação de informações sobre a psicologia como ciência e profissão, bem como sobre saúde mental”, continua Paiva.
Esta foi a proposta desenhada na Regional:
“Que o Sistema fortaleça campanhas de implementação de ações que visam tornar as cidades brasileiras mais resilientes às mudanças climáticas, adotando medidas de adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas e promovendo estudos de análise de riscos e vulnerabilidade climática, com o intuito de garantir a segurança e o bem-estar das populações mais vulnerabilizadas, por meio da prevenção de desastres e emergências”.
Falas e reinvidicações
Durante o evento, os integrantes questionaram como a psicologia, tanto em nível nacional quanto regional, pode se aproximar de pautas ligadas ao meio ambiente, direitos humanos e direitos da natureza, além de alertar para as mudanças e emergências climáticas e a presença de mais pessoas indígenas e das comunidades trans e travesti em encontros como este:
“Então, quando não temos a representação desses segmentos indígenas e trans, perdemos em qualidade na composição e na entrega dos trabalhos. Isso porque não conseguimos contemplar, de forma satisfatória, os anseios, demandas e pautas desses segmentos sociais”, reconhece Rodrigo Paiva.
“Movimentos sociais necessitam estar mais presentes em congressos de classe”, afirma Rodrigo Paiva. Foto: Cedida
Sobre o Comitê Chico Mendes
Criado em 1988 por militantes, familiares e organizações da sociedade civil na noite do assassinato do líder seringueiro e sindicalista Chico Mendes, o Comitê Chico Mendes surgiu como guardião de seus ideais e legado. Até 2021, atuou como um movimento social, promovendo a Semana Chico Mendes e o Festival Jovens do Futuro.
Diante do desmonte da Política Nacional de Meio Ambiente, que afetou violentamente os territórios e suas populações, especialmente as Reservas Extrativistas, o Comitê decidiu dar um passo estratégico para fortalecer sua atuação em prol do bem-estar social, ambiental, cultural e econômico das comunidades tradicionais.
Em maio de 2021, após um amplo processo de escuta e diálogo entre membros e parceiros, optou-se pela institucionalização do Comitê Chico Mendes. A decisão representou um marco na trajetória da organização, permitindo a implementação de projetos estruturados sem abrir mão da essência de resistência, expressa nas Semanas Chico Mendes, realizadas desde 1989, e no Festival Jovens do Futuro, promovido a partir de 2020.